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quarta-feira, 5 de março de 2014

São Félix

Parece-me que a coisa se encaminha.

terça-feira, 25 de maio de 2010


Para a rua, o interior desmaterializa o espaço, o alinhamento entre a bandeira da caixilharia, o espelho lateral e a continuidade da laje de tecto, criam a tensão desejada. será dentro, será fora, estará a rua cá dentro? ainda hoje não sei bem, aliás não quero saber, quero é criar a ilusão. Dentro fica o balcão, inspirado num dos meus fetiches, algures entre Mondrian e Rietveld.

segunda-feira, 5 de abril de 2010


Sobre a sala, encontramos a biblioteca, sítio de reflexão. Este depósito de memórias onde perdura o cheiro de antigas e novas leituras, existe enquanto lugar sacrossanto da tradição familiar. O projecto constrói o suporte físico dessa sacralidade. A luz é natural, entra pelos vão e reflecte-se por entre paredes e soalhos, sendo coada pela significância dos moveis, livros e objectos da memória e tradição. As realidades físicas são suporte de expressividades significantes, na minha visão da praxis arquitectónica esse é o propósito do projecto, acrescentar significados e expressão a uma realidade que se constrói.

segunda-feira, 8 de março de 2010


O existente já tinha complexidade suficiente para assegurar múltiplos significados á experiência doméstica. Logo o projecto não necessitava de se afirmar como uma nova realidade que se sobrepusesse á complexidade existente. O projecto necessitava sim de unificar as distintas fazes da existência sem destruir o seu carácter complexo. Projectar o palco de memórias e consolidar as existências era o objectivo. O programa era mais significante do que funcional. A varanda mostra a riqueza da existência.

segunda-feira, 1 de março de 2010


A casa existente era resultado de duas ampliações á habitação inicial. A casa inicial ía até ao primeiro patamar da escada. A primeira ampliação ocupava o segundo patamar da escadaria. Posteriormente foi construído um novo corpo. As ampliações eram orgânicas, a sua única ligação realizava-se pela escadaria exterior. Cada uma das construções tinha a sua lógica. Em comum tinham que os seus pisos térreos, cortes e lojas, que não comunicavam com os pisos habitáveis. Por outro lado, nenhum dos seus pisos habitáveis tinha a mesma cota. O desafio foi unificar as lógicas distintas sem destruir a sua aparente unidade do conjunto. Recuperada a alvenaria de pissara, o existente ganhou nova dignidade, a ruína transfigurou-se.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Este projecto, tratou de dois temas delicados, o primeiro foi a premissa do programa, uma casa palco de memórias, o outro tema sensível foi a estratégia de recuperação. A estratégia de intervenção poderia ser mais interveniente, ou mais contemporânea. A solução técnica do programa casa, quartos, sala, cozinha, etc., implicava muitas alterações na ruína existente. Neste caso a possibilidade de realizar uma intervenção mais interveniente foi posta de lado. Encontrei que um projecto com essa vontade de afirmação poderia significar o desvanecimento do palco de memórias que se pretendia. Logo, assumimos que o projecto seria o mais discreto possível. A descrição tem lugar e em muitos casos reflecte cultura e compreensão pelo tema do projecto. Foi na Casa de Briteiros de Fernando Távora que encontramos inspiração. Essa inspiração não se encontra na forma ou no pormenor, ela encontrasse na capacidade de reflexão e respeito com que Fernando Távora tratou o sítio, a ruína, as memórias do cliente, a cultura da região, e depois, num assombroso acto de humanismo e humildade, realizou o projecto. Para o leigo, parece como sempre tivesse sido assim, para o erudito, sem ele nunca poderia ser assim.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O cliente tinha um programa fora do comum, queria uma casa que fosse lar e queria que o lar fosse um palco das memórias familiares. Encontrado o sítio, uma propriedade rural de pequena dimensão, com umas ruínas interessantes, começou o longo processo de conceptualização do projecto.
Um palco de memórias familiares não é um processo facilmente diferenciável. Poucos Arquitectos o executaram. Muitos o fizeram para programas institucionais, museus, centros culturais, etc., mas para uma família, com todas as suas vicissitudes, só conheço um Arquitecto onde me pudesse referenciar.
Fernando Távora, para além de ser um fabuloso Arquitecto, tinha um reportório de cultura, pessoal e familiar, que lhe permitiu realizar algumas obras, das quais destaco a casa em Briteiros, que respondiam a esse programa. Por vezes a obra arquitectónica não se deve orientar pelo imediatismo. Por vezes a obra deve manter-se a flutuar no caldo de cultura que são a complexidade da memória e das referências, nesse sentido a obra, projecto, devem manter uma característica intemporal. O projecto que vos vou passar a mostrar procurou esse fim, passar discreto entre a bruma dos tempos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010


O desnível do terreno faz-se sentir dentro da casa. O projecto constrói-se com a realidade das coisas. Essa realidade acrescenta possibilidades de qualificação aos espaços do projecto. Essa realidade condiciona as possibilidades de intervenção. Neste caso a diferença de cotas ajuda a definir o carácter dos diferentes espaços. Construir é colaborar com a terra, disse Adriano através da pena de M. Yourcenar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009



O alçado Poente prolongasse num muro de suporte que se entrega à pendente. No seu término um apoio de jardim remata-o. O jogo cromático escolhido realça os volumes e os planos. Funcionalmente o muro fecha o pátio. Esta é uma casa fechada para a sua frente urbana e aberta para a natureza que espreita no topo da encosta. Nem sempre a cidade, neste caso o subúrbio, merecem as honras do lar. Aqui a encosta e o bosque são o que importa.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



Devido à forte pendente do terreno, 22 M de diferença de cotas, o lote foi moldado em socalcos. Procurou-se que a modelação do terreno provocasse limitasse ao mínimo a movimentação de terras. Procurou-se que essa modelação criasse um paradigma diferente no interior do lote, aqui a realidade suburbana fica do lado de fora. A Serra de Sintra serve de pano de fundo aos espaços criados pela modelação do terreno. O Domus cria o seu microcosmos ao serviço da família.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009



Pelo descalabro da vizinhança urbana, isto apesar de nos encontrarmos numa zona classificada como património mundial, a casa volta-se para o interior do lote. Lá temos a reminiscência da realidade espartilhada pelo feroz loteamento que originou o lote. A fronteira Sul do lote é o bosque de lazer da antiga Quinta que foi retalhada. O bosque está lá, e deste modo podemos organizar a casa á sua volta. Na frente de rua, o alçado frontal remete nos para conceitos que fizeram Sintra, a torre da caixa de escadas cita as torres das quintas e palácios de Sintra. A vontade de afirmação do objecto arquitectónico recria a vaidade das construções notáveis da Vila ao mesmo tempo que renega a banalidade e anonimato das casinhas com socos, molduras e beirados brancos, pintadas de cor de rosa ou salmão e coberturas com muitas águas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


Num Terreno difícil, um casa de família contemporânea. Os 22 m de desnível não ajudaram, o regulamento do loteamento também não. Com o possível desenhou-se uma casa para satisfazer as necessidades do cliente e da Praxis. Nasceu assim uma casa interveniente, um para reclamar um outro ideal de Domus e Urbe. Esta casa, construída em 2002, na Portela, em Sintra, numa zona de urbanização recente e desconexa, típica coutada pré-urbana onde o pós-moderno vernacular rústico da subúrbia lisboeta impera, procurou ser afirmação de autoria. O projecto de uma moradia, é sempre um statement, a vontade do cliente é o início de um percurso onde vamos verbalizar as suas intenções com o nosso léxico. Era vontade nossa não fazer uma casa igual á subúrbia.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


Stahl House, Pierre Koenig 1960

O projecto de uma casa é sempre um desafio. Ele desafia a família que o encomenda, pois na maior parte das vezes nunca nenhum dos seus membros reflectiu sobre qual era o seu conceito de casa ideal. Desafia o arquitecto, porque para conceber o projecto ele tem de dissecar os desejos dos seus membros e transformá-los num projecto. Esse projecto, para além de ser um meio de concretizar as utopias familiares do que é um lar, tem ser também uma consequência do exercício da profissão. Ser arquitecto implica uma vontade de interpretar esses desejos, muitas vezes antagónicos, e afirmar simultaneamente a sua autoria. Implica igualmente conciliar o resultado dessa reflexão, com normas e regulamentos concebidos para a generalidade quando nos é pedido um resultado individualizado. O programa da moradia, quando realizado para um cliente particular, é sempre uma quimera, e tal como todas as quimeras, ou se chega ao Olimpo, ou se morre na praia. Sem clientes exigentes e inteligentes não existem bons projectos. Pierre de Koenig teve muita sorte, e não esquecendo que a sorte se faz, em ter tido bons clientes, neste caso Carllota e Buck Stahl, que tiveram a inteligência de comprar o lote e pedir a Pierre de Koenig uma casa onde não se visse a casa, apenas a paisagem .

segunda-feira, 30 de novembro de 2009






Foi esta realidade que ditou o mote do projecto, perante a imponência da paisagem e da luz que banha o Tejo, o projecto moldou-se para exponenciar esta realidade. A abstracção e desmaterialização do espaço interior potenciam a realidade concreta com que esta varanda nos brinda. Muitas das grandes opções do projecto são impostas pelos sítios, tirar partido das existências é dançar com a realidade. O projecto não deve lutar com a realidade, pois as lutas com a natureza das coisas são sempre inglórias e estão condenadas ao fracasso. É sempre mais proveitoso dançar com elegância.
Aqui, na varanda, o projecto limitou-se a pintar a guarda e a colocar o vidro de segurança. Gostava muito de ter tido orçamento para o Deck e de ter substituído a guarda, se calhar qualquer dia....

quinta-feira, 1 de outubro de 2009



Chega-se á sala, a alma da casa. A lareira e a biblioteca complementam-se á vizinhança do jardim. Todo o espaço é desenhado para usufruir destes elementos. Estar, ler e relaxar são o complemento antagónico ás exigências do trabalho e da cidade. Na sala retempera-se.