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terça-feira, 10 de abril de 2018
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Para terminar de mostrar este projecto, acabo com esta imagem, ela não mostra o projecto, mostra sim o seu propósito. O projecto enquanto palco de memórias foi desafio difícil, pois o projecto arquitectónico deixa de ser a cereja em cima do bolo, e passa a desempenhar o papel da farinha e dos ovos. É ele que suporta todo esse plateau onde a cena se desenrola. A significância do programa aplelou a uma arquitectura dificíl e discreta. Conforme já disse, parece que aqui foi sempre assim, mas sem esse esforço, o aqui não existiria.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Os quartos replicam a estrutura anterior, o projecto consolida o seu carácter. A mobília, transmitida de geração em geração, reaprende o seu lugar. A serenidade impera, ajudada pelas coisas que a rodeiam e pelo calor que emana dos materiais. O descanso assegura-se pela serenidade e harmonia, é essa a qualidade primordial que nos retempera.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
A realidade da existência mantém uma memória fortíssima no projecto. Aqui o corredor, que sempre esteve neste sítio, e com esta configuração, manteve a sua presença na casa. A sua força reside na lógica funcional, servindo o acesso aos quartos, deixando a luz entrar e relacionando-se com a antiguidade do existente. O projecto não ter de se impor a qualquer custo, o projecto serve para optimizar o meio, logo na reabilitação ele deve utilizar o existente. Aqui redesenhamos as portas e mantivemos o espírito da casa.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Os desníveis da existência são conciliados depois de muito esforço. Aquelas dificuldades que nos apareciam como inultrapassáveis no inicio do projecto transformam-se. A dificuldade torna-se em elemento enriquecedor do espaço. A atmosfera trabalhada é resultado de esforço e dedicação, a simplicidade aparente é sempre consequência da complexidade da realidade. Mais uma vez o projecto é resultado de equilíbrios delicados alicerçados na dificuldade da natureza das coisas.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Sobre a sala, encontramos a biblioteca, sítio de reflexão. Este depósito de memórias onde perdura o cheiro de antigas e novas leituras, existe enquanto lugar sacrossanto da tradição familiar. O projecto constrói o suporte físico dessa sacralidade. A luz é natural, entra pelos vão e reflecte-se por entre paredes e soalhos, sendo coada pela significância dos moveis, livros e objectos da memória e tradição. As realidades físicas são suporte de expressividades significantes, na minha visão da praxis arquitectónica esse é o propósito do projecto, acrescentar significados e expressão a uma realidade que se constrói.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Entre o existente, o projecto e as idiossincrasias da família, a casa cria a ambiência serena do lar. Esse lar é sítio seminal de memórias. Esta ambiência foi a quimera deste projecto. Procuraram-se equilíbrios serenos para a alcançar. Parece que não poderia ser de outro modo. Mas para encontrar esse modo é necessário muito esforço e vontade de fazer bem, mais uma vez, nunca poderia ser de outro modo.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Sempre procuro criar imagens que perdurem na retina da memória. Neste projecto a escada foi invenção contemporânea. Quando encontrei esta casa, no piso terreo havia lojas e cortes, era um lugar não habitável. No piso superior havia da habitação. Com o projecto o piso térreo passou a ser habitação e esta escada passou a ser elemento fundamental nesta intenção. Como novo elemento, resultado directo do projecto, ele reflecte essa intenção. Ela é contemporânea e intemporal no seu desenho. A criação de imagens que perdurem na memória pode ter duas estratégias. Ou são elementos intervenientes, ou então são palco onde os acontecimentos se desenrolam. Aqui a o palco foi montado.
quarta-feira, 24 de março de 2010
O projecto criou uma nova realidade no interior da casa. A sua concretização remete-nos para um classicismo moderno. Os planos geométricos do mezzanine que reflectem a luz do exterior para o piso térreo, são contrabalançados pela orgânicídade do píloti e pela manualidade da tijoleira artesanal. O píloti articula um momento complexo no projecto, para além da sua função estrutural ele anuncia a escada. É ele que nos leva a querer subir para deambular pelo espaço. Entre estas complexidades, moderno e telúrico, geométrico e gestual, procurou-se construir um espaço onde as memórias se mostrem e se construam.
sexta-feira, 19 de março de 2010
No interior, a casa adquire novo carácter, a contemporaneidade ganha presença. A luz, normalmente tão contida nas construções antigas, passa a fluir pelo espaço com abundância. As diferentes fases da construção inicial mantêm a sua memória. Cada uma delas com a sua cota. Essa aparente dificuldade, unir as anteriores existências não comunicantes, serve para criar uma nova realidade onde a memória da pré-existência nunca se perde e permite ganhar novos significados e expressividades. A complexidade dá riqueza ao espaço e o palco de memórias começa a ser criado.
quinta-feira, 11 de março de 2010
No interior o projecto ganha novos significados. O espaço torna-se uno e serve de palco a uma memória familiar. Tradição e modernidade fundem-se discretamente. A luz ilumina os objectos significantes, parece que sempre foi assim, fez-se por isso. Mais uma vez o Projecto de Arquitectura serve para alicerçar as memórias, passadas e futuras.
segunda-feira, 8 de março de 2010
O existente já tinha complexidade suficiente para assegurar múltiplos significados á experiência doméstica. Logo o projecto não necessitava de se afirmar como uma nova realidade que se sobrepusesse á complexidade existente. O projecto necessitava sim de unificar as distintas fazes da existência sem destruir o seu carácter complexo. Projectar o palco de memórias e consolidar as existências era o objectivo. O programa era mais significante do que funcional. A varanda mostra a riqueza da existência.
quarta-feira, 3 de março de 2010
A reconstrução das alvenarias revelou a expressividade do xisto e do granito. A intervenção passa discreta. Passa por entre as pedras centenárias e revela a mestria e o pragmatismo da construção tradicional. As mãos que recuperaram o existente e fizeram o projecto foram nascidas no mesmo saber de quem a construiu inicialmente. O xisto e o granito que serviram a reconstrução, saíram da ruína. Quando o existente estava em muito mal estado, o substituto veio de poucos metros de distancia. As argamassas seguiram as receitas originais. O respeito pelo existente, traduz-se em numa construção ecologicamente responsável. A responsabilidade social da profissão reflecte-se no todo. Desde o respeito pelo programa do cliente, á sustentabilidade. Construir é colaborar com a terra. A construção não deve ser encarada como uma imposição á Natureza. A construção deve ser encarada como complemento ao meio.
segunda-feira, 1 de março de 2010
A casa existente era resultado de duas ampliações á habitação inicial. A casa inicial ía até ao primeiro patamar da escada. A primeira ampliação ocupava o segundo patamar da escadaria. Posteriormente foi construído um novo corpo. As ampliações eram orgânicas, a sua única ligação realizava-se pela escadaria exterior. Cada uma das construções tinha a sua lógica. Em comum tinham que os seus pisos térreos, cortes e lojas, que não comunicavam com os pisos habitáveis. Por outro lado, nenhum dos seus pisos habitáveis tinha a mesma cota. O desafio foi unificar as lógicas distintas sem destruir a sua aparente unidade do conjunto. Recuperada a alvenaria de pissara, o existente ganhou nova dignidade, a ruína transfigurou-se.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Este projecto, tratou de dois temas delicados, o primeiro foi a premissa do programa, uma casa palco de memórias, o outro tema sensível foi a estratégia de recuperação. A estratégia de intervenção poderia ser mais interveniente, ou mais contemporânea. A solução técnica do programa casa, quartos, sala, cozinha, etc., implicava muitas alterações na ruína existente. Neste caso a possibilidade de realizar uma intervenção mais interveniente foi posta de lado. Encontrei que um projecto com essa vontade de afirmação poderia significar o desvanecimento do palco de memórias que se pretendia. Logo, assumimos que o projecto seria o mais discreto possível. A descrição tem lugar e em muitos casos reflecte cultura e compreensão pelo tema do projecto. Foi na Casa de Briteiros de Fernando Távora que encontramos inspiração. Essa inspiração não se encontra na forma ou no pormenor, ela encontrasse na capacidade de reflexão e respeito com que Fernando Távora tratou o sítio, a ruína, as memórias do cliente, a cultura da região, e depois, num assombroso acto de humanismo e humildade, realizou o projecto. Para o leigo, parece como sempre tivesse sido assim, para o erudito, sem ele nunca poderia ser assim.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
O cliente tinha um programa fora do comum, queria uma casa que fosse lar e queria que o lar fosse um palco das memórias familiares. Encontrado o sítio, uma propriedade rural de pequena dimensão, com umas ruínas interessantes, começou o longo processo de conceptualização do projecto.
Um palco de memórias familiares não é um processo facilmente diferenciável. Poucos Arquitectos o executaram. Muitos o fizeram para programas institucionais, museus, centros culturais, etc., mas para uma família, com todas as suas vicissitudes, só conheço um Arquitecto onde me pudesse referenciar.
Fernando Távora, para além de ser um fabuloso Arquitecto, tinha um reportório de cultura, pessoal e familiar, que lhe permitiu realizar algumas obras, das quais destaco a casa em Briteiros, que respondiam a esse programa. Por vezes a obra arquitectónica não se deve orientar pelo imediatismo. Por vezes a obra deve manter-se a flutuar no caldo de cultura que são a complexidade da memória e das referências, nesse sentido a obra, projecto, devem manter uma característica intemporal. O projecto que vos vou passar a mostrar procurou esse fim, passar discreto entre a bruma dos tempos.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
O percurso de um arquitecto é marcado de múltiplos modos. Em primeiro lugar temos o seu método de trabalho, elemento em permanente mutação ao longo da carreira. O método é um caminho longo e sinuoso, orientado pelos principais temas e premências com que o autor vai confrontando. Essa é a parte do percurso arquitectónico de responsabilidade exclusiva do autor. O outro factor que condiciona fortemente o percurso de carreira de um arquitecto é a encomenda. A encomenda é factor de vontade própria. Não a escolhemos, mas quando a aceitamos levamo-la até ao fim, entregando o nosso melhor saber para ser marcante na nossa carreira. Por vezes quando percorremos á vista larga este percurso, aparecem elementos dissonantes. Olhando com mais cuidado a essência do autor salta á vista. Essa essência é o método do autor.
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