Cada projecto fica com a sua imagem de marca, resultado de um conjunto de circunstâncias irrepetíveis. As circunstâncias são irrepetíveis e isso torna cada projecto único. Contudo em todos os projectos que realizo existe um fio condutor, a vontade de fazer o melhor que sei. Em última análise, é essa uma das garantias primordiais que posso oferecer a cada novo projecto. A outra garantia primordial que posso oferecer, é a insatisfação com que encaro o término de cada projecto. Essa insatisfação é reflexo da vontade de fazer melhor no projecto seguinte. Os desafios de cada projecto são a sua força e neste caso foram dificuldade acrescida. Devo contudo acentuar, que só consegui ultrapassar os desafios deste projecto com a preciosa ajuda do Arq. David Sousa Santos, com quem reparto a autoria do Projecto. Deixo agora a Casa da Portela com a imagem do alçado principal, provavelmente a imagem mais icónica deste projecto de difícil execução.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Apesar de ser um local icónico no imaginário de uma habitação, o quarto principal, continua a ser um quarto. Como tal, e apesar de ser um quarto com tratamento privilegiado, ele está incluído na tipologia dos quartos. Isso implicou que o seu desenho deve ter um fio condutor com os restantes quartos desta casa. É essa cumplicidade programática que enriquece o projecto. São diferentes mas fazem parte da mesma família. Neste caso optamos por dar a todos os quarto um elemento comum, todos eles tem uma janela corrida a baixa altura. Em todos eles podemos ter um vão que enquadra a paisagem quando estamos deitados. Um dos grandes desafios do projecto é conseguir diversidade na unidade. A aparente simplicidade é reflexo de grande complexidade e isso estrutura e enriquece a nossa vida.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
O quarto principal é um sistema complexo, ele marca a diferença de tratamento entre os donos da casa e os restantes habitantes. Podemos questionar se tal diferenciação é correcta, podemos até acreditar que devemos tratar todos por igual, mas no âmago do nosso subconsciente existe a necessidade de nos diferenciarmos dos restantes. Por isso num programa corrente de casa unifamiliar, o quarto principal, é um sistema complexo que serve para hierarquizar os elementos da família. Parece-me justo e merecida essa diferenciação. Ela é reflexo da hierarquia genética a que está sujeita o núcleo familiar humano. Por isso o quarto principal tem mais espaço, tem mais funções e tem um tratamento espacial próprio.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
A transparência que liga o eixo principal do projecto ,atravessa o espaço prolongando-o. A biblioteca de aresta viva realiza o seu momento dramático. A janela corrida a meio da parede complementa a composição dinâmica deste espaço. A variedade de situações espaciais diferenciadas serve para qualificar cada espaço. Neste caso dão sentido ás prateleiras corridas e anunciam o escritório.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
No processo arquitectónico, a concretização do resultado final, é consequência de múltiplos protagonistas. Temos o desejo dos clientes, se forem casal, temos duas concepções de casa distintas. Temos as regulamentações, neste caso muito condicionantes pois o Regulamento da Urbanização estava preparado para zonas planas e aqui tinha-mos pendentes de 22 m. em cada lote. O orçamento é outra das condicionantes, pois sem ele o objecto Arquitectónico permanece no campo dos desejos. Por fim temos os executantes. Da conciliação destes interesses nasce o construído. Por vezes temos de usar a imaginação para fazer omeletas sem ovos. Aqui neste caso, tivemos de optar por uma paleta de revestimentos pouco usual. O motivo é sempre o mesmo, viabilizar o orçamento de modo a permitir a sua concretização. Aqui o mosaico hidráulico faz de revestimento de paredes e pavimento. Aqui o soalho é em pinho. Aqui as louças são muito económicas, as torneiras também. Mas a qualidade, funcionalidade e durabilidade do espaço foram valor sagrado. A economia é um meio, não é um fim. Aqui a cozinha tem lugar privilegiado no lar. Lá convivemos à volta de uma refeição unindo os laços de família. A contenção de custos é um valor operacional e ético da vida, quer os custos sejam energéticos, ambientais ou económicos. O objectivo da vida é a felicidade e a harmonia.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A zona de estar ganha carácter e autonomiza-se. O duplo pé direito e o vão exterior individualizam o espaço, aqui a luz reflecte de modo diferente. A cor quente do mezzanine complementa o pinho do pavimento. A bancada em pedra desenha um movimento unificador. Estão lançados os elementos cénicos que compõem o ambiente da zona social da casa. A vontade é sempre a mesma, reinventar espaços com natureza intemporal. A sociabilidade e as suas áreas, são sítio fundamentais para acontecerem as lembranças que fazem a alma das casas. Aqui tentamos fazer com que elas fiquem mais vivas na nossa memória.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Água, Fogo, a madeira e a pedra são a Terra, o grande vão anuncia o Ar. Os temas ancestrais estão no nosso quotidiano, dão-nos conforto e fazem-nos sentir em casa. A complexidade ganha sentido com o jogo dos elementos. O jardim espreita a sul, a encosta anuncia-se pela nesga, as escadas encostam-se ao muro e dão-nos paisagem privada. A complexidade parece não existir, nas nossas casas é assim.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A diferença de cotas define claramente as diferentes funções da sala. Para reforçar este propósito a orientação dos vãos tem papel fundamental, não é só a diferença de pavimentos, mas são também os diferentes sistemas de vistas que complementam a individualização dos usos. A zona de refeições olha para o pátio, a zona de estar abre-se para a escadaria que acompanha o terreno. O eixo conceptual do projecto ganha sentido na entrega ao terreno das escadas exteriores e nas disposição funcional do projecto.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O desnível do terreno faz-se sentir dentro da casa. O projecto constrói-se com a realidade das coisas. Essa realidade acrescenta possibilidades de qualificação aos espaços do projecto. Essa realidade condiciona as possibilidades de intervenção. Neste caso a diferença de cotas ajuda a definir o carácter dos diferentes espaços. Construir é colaborar com a terra, disse Adriano através da pena de M. Yourcenar.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O eixo estruturante do projecto prolonga o espaço perceptível da casa. O espaço ganha profundidade ajudado pelas transparências que deixam entrar a luz nos seus topos. A transparência das escadas ajuda a luz a fluir e concede unidade aos 2 pisos. A leveza do desenho da escada, com os seus planos soltos e a sua estrutura que agarra os pisos fazem o resto. A casa deve ser coerente e una. Por entre fotografias antigas e outras mais novas a casa vai se mostrando.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O projecto desenvolve-se em torno de eixo de sentido Norte- Sul. A Norte fica a entrada na casa e a caixa de escadas. Este eixo impõem a sua lógica e faz nascer a caixa de escadas. Estas entregam-se em cada piso no preciso local do eixo compositivo. Este eixo é enfatizado pelas transparências que ocorrem nos seus topos. A luz nasce e reforça o seu carácter. A transparência das escadas ajuda. Ao desenvolver-se no sentido mais longo da cada, e tendo fugas visuais no seu inicio e no seu término, o eixo multiplica o espaço da casa.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O alçado Poente prolongasse num muro de suporte que se entrega à pendente. No seu término um apoio de jardim remata-o. O jogo cromático escolhido realça os volumes e os planos. Funcionalmente o muro fecha o pátio. Esta é uma casa fechada para a sua frente urbana e aberta para a natureza que espreita no topo da encosta. Nem sempre a cidade, neste caso o subúrbio, merecem as honras do lar. Aqui a encosta e o bosque são o que importa.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A casa encerra-se à sua volta. O muro de suporte a poente deixa uma abertura para o pátio. Dela vislumbra-se o vão da sala a Sul. Por norma está sempre aberto, quando necessário, ele blinda a casa. As casa precisam de transmitir essa sensação de segurança ao seu Dono. A salvaguarda do Espaço sagrado da Família assim o exige. Contudo essa necessidade de segurança tem de ser reversível, pois quando a casa é habitada e os espaços são vividos, a apropriação do espaço exterior adjacente é primordial. A segurança tem de ser cumprida, mas tal não pode significar uma prisão para os seus proprietários. Para tal os elementos que garantem essa segurança, neste caso os estores, devem cumprir varias funções. Aqui eles também controlam a luz e os ganhos solares, a pala ajuda e a composição dos materiais dá-lhes mais significados, não é a mesma coisa que ter grades nas janelas.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Devido à forte pendente do terreno, 22 M de diferença de cotas, o lote foi moldado em socalcos. Procurou-se que a modelação do terreno provocasse limitasse ao mínimo a movimentação de terras. Procurou-se que essa modelação criasse um paradigma diferente no interior do lote, aqui a realidade suburbana fica do lado de fora. A Serra de Sintra serve de pano de fundo aos espaços criados pela modelação do terreno. O Domus cria o seu microcosmos ao serviço da família.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A casa abre-se ao interior do lote. A escala torna-se doméstica e o stattement fica na rua, a divisão volumétrica obedece a uma divisão funcional. O corpo da esquerda alberga a sala com a seu duplo pé direito e grande vão a sul. O corpo central é a caixa de escadas e a cozinha. À sua direita temos o volume balançado do quarto principal. A cor reforça a intenção. As preocupações de eficiência energética tem de estar estar sempre presentes no desenho de qualquer imóvel elas são parte fundamental da responsabilidade social da prática.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Num Terreno difícil, um casa de família contemporânea. Os 22 m de desnível não ajudaram, o regulamento do loteamento também não. Com o possível desenhou-se uma casa para satisfazer as necessidades do cliente e da Praxis. Nasceu assim uma casa interveniente, um para reclamar um outro ideal de Domus e Urbe. Esta casa, construída em 2002, na Portela, em Sintra, numa zona de urbanização recente e desconexa, típica coutada pré-urbana onde o pós-moderno vernacular rústico da subúrbia lisboeta impera, procurou ser afirmação de autoria. O projecto de uma moradia, é sempre um statement, a vontade do cliente é o início de um percurso onde vamos verbalizar as suas intenções com o nosso léxico. Era vontade nossa não fazer uma casa igual á subúrbia.
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